A etimologia tradicionalmente aceita de poupar é surpreendente, além de ligeiramente polêmica: filólogos de prestígio como Antenor Nascentes e José Pedro Machado não tiveram dúvida em situar sua origem no latimpalpare, isto é, “apalpar, tocar com delicadeza, acariciar”.
E o que poderia ter o ato de poupar em comum com o de apalpar? Nada além de uma metáfora: basicamente a ideia de, como se diz hoje, pegar leve, ou seja, tocar (o bolso) com delicadeza. Nas palavras de Antenor Nascentes, a pessoa que controla bem seus gastos tem “cautelas de quem apalpa”.
Hmm, será? Nascentes e Machado têm crédito, mas etimologia não é ciência exata. Que a explicação soa um tantinho forçada, soa, mas isso não quer dizer que o seja. O Houaiss lembra que outro filólogo, Antônio Geraldo da Cunha, preferiu considerar a ligação entre poupar epalpare como apenas “provável”, sem no entanto apresentar uma tese alternativa. Talvez seja o caso, portanto, de poupar o ceticismo.
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